Honorários e Legislação ANS

Reembolso de Anestesista e Honorários Médicos em Cirurgias

Atualizado em 27 Out, 2026

|
9 min de leitura
Reembolso de anestesista e honorários médicos em cirurgias pelo plano de saúde empresarial
O reembolso de anestesista e honorários cirúrgicos segue regras da ANS e tabelas contratuais.

O reembolso de anestesista e honorários médicos em cirurgias é obrigatório integralmente pelo plano de saúde quando o hospital credenciado não disponibiliza equipe conveniada. Em cirurgias particulares com livre escolha, o reembolso ocorre conforme a tabela contratada, com tetos elevados em planos corporativos Premium.

A operadora de saúde não pode transferir ao beneficiário o custo da anestesia em procedimentos cirúrgicos cobertos. Havendo cobrança direta de profissionais não credenciados dentro de hospitais conveniados, o ressarcimento deve cobrir o valor total despendido pelo segurado.

As diretrizes regulatórias constam no portal da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e na página sobre cobertura assistencial obrigatória da ANS. Conhecer essas normas impede perdas financeiras e assegura o reembolso tempestivo.

1. O que diz a ANS e o STJ sobre o reembolso de anestesista

O ato anestésico é indissociável da intervenção cirúrgica. A Resolução Normativa nº 465/2021 da ANS e a Lei Federal nº 9.656/1998 estabelecem que a cobertura de cirurgias hospitalares engloba obrigatoriamente os honorários do anestesiologista, os gases anestésicos e os medicamentos sedativos administrados.

Apesar da clareza da legislação, muitos hospitais conveniados mantêm equipes de anestesia que operam como prestadores terceirizados não cooperados. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacificou o entendimento de que a operadora é solidariamente responsável por assegurar a equipe completa, sem custos extras ao paciente.

Dica de ouro: exija a declaração de ausência de anestesista credenciado

Caso o hospital credenciado afirme que a equipe de anestesia não atende pelo seu convênio, solicite uma declaração formal assinada pela administração do hospital atestando a falta de anestesiologista conveniado no plantão cirúrgico. Esse documento garante direito ao reembolso integral de 100% da nota fiscal emitida.

Fundamentação jurídica e normas aplicáveis ao reembolso

Norma / Decisão Judicial Determinação Aplicada aos Contratos Empresariais
Lei Federal nº 9.656/1998 (Art. 12, II) Obriga a cobertura integral de toda a equipe médica, internação hospitalar, taxa de sala cirúrgica e procedimentos anestésicos.
Resolução Normativa ANS nº 259/2011 (Art. 9º) Determina que, diante da inexistência de profissional credenciado no local, a operadora deve custear ou reembolsar integralmente o valor particular.
Jurisprudência Consolidada do STJ Define como abusiva a recusa de reembolso de anestesista quando a cirurgia ocorre em hospital conveniado que não dispõe de anestesista do plano.
Código de Defesa do Consumidor (CDC) Veda práticas enganosas e repasse injustificado de ônus financeiro assistencial para o contratante do plano de saúde.

Modalidades de cirurgia e regras de ressarcimento

Cenário Cirúrgico Regra de Cobertura e Cálculo do Reembolso Aplicável
Hospital Credenciado sem Anestesista do Plano Reembolso 100% integral obrigatório pelo plano, independentemente dos limites numéricos previstos em tabelas contratuais.
Cirurgião Particular em Hospital Credenciado Honorários cirúrgicos pagos conforme os múltiplos de reembolso contratados; taxas hospitalares e internação cobertas pelo convênio.
Cirurgia Eletiva Inteiramente Particular (Livre Escolha) Reembolso calculado segundo o contrato da operadora para equipe médica, diárias e materiais hospitalares.
Procedimentos de Urgência e Emergência Fora da Rede Reembolso integral compulsório nos termos do artigo 12 da Lei 9.656/1998, quando não for possível utilizar a rede credenciada.

Honorários médicos que compõem a equipe cirúrgica

Função do Profissional no Ato Cirúrgico Percentual de Honorários Padronizado na Tabela CBHPM / ANS
Cirurgião Principal (Titular) Representa 100% do porte anestésico-cirúrgico fixado para o procedimento na tabela contratual.
Primeiro Auxiliar Cirúrgico (Médico) Corresponde habitualmente a 30% do valor dos honorários estabelecidos para o cirurgião titular.
Segundo e Terceiro Auxiliares Cirúrgicos Geralmente fixados em 20% cada, devidos em cirurgias de grande porte que exijam múltiplos especialistas em campo.

Fundamento regulatório: Resoluções Normativas ANS nº 259/2011 e 465/2021, Lei Federal nº 9.656/1998 e Súmula 102 do Tribunal de Justiça de São Paulo.

2. Cirurgia na rede credenciada versus equipe médica particular

Compreender os modelos de contratação cirúrgica evita surpresas financeiras após a alta hospitalar e orienta a escolha do melhor plano corporativo para a empresa.

Cirurgia realizada inteiramente pela rede credenciada

Quando a cirurgia é realizada por médico credenciado em hospital próprio ou conveniado, a operadora faz o faturamento direto de todos os custos. O paciente não efetua desembolsos para o cirurgião, anestesista ou hospital.

A única exceção de cobrança ocorre se o contrato estipular coparticipação para internação hospitalar, que nos planos regulamentados costuma ser um valor fixo por evento.

Cirurgião particular atuando em hospital da rede

É comum o paciente ter confiança em um cirurgião particular que opera em hospitais credenciados pelo seu plano de saúde empresarial. Nesse modelo híbrido, a operadora emite a guia de internação cobrindo diárias, exames e centro cirúrgico.

Os honorários da equipe cirúrgica particular são pagos diretamente pelo paciente, que em seguida submete as notas fiscais e relatórios cirúrgicos ao convênio para solicitar o reembolso conforme os limites contratuais.

Cláusula de livre escolha e equipes de retaguarda hospitalar

Grandes operadoras corporativas oferecem soluções avançadas de retaguarda médica em hospitais de excelência, como o Hospital Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês e Vila Nova Star.

Em apólices corporativas superiores, os especialistas da equipe de retaguarda têm seus honorários quitados diretamente pela seguradora, garantindo suporte de plantonistas de elite sem necessidade de desembolso prévio por reembolso.

Vedação expressa de cheque-caução em internação É crime punível com detenção (Lei Federal nº 12.653/2012) exigir qualquer tipo de garantia financeira, cheque-caução ou nota promissória para atendimento médico-hospitalar de urgência ou emergência, mesmo que haja controvérsia sobre honorários de anestesista.

3. Tabela comparativa: Reembolso cirúrgico nos planos Premium

Analise os níveis de reembolso para consultas e procedimentos cirúrgicos, prazos médios de liquidação e retaguardas hospitalares nas principais seguradoras corporativas do mercado:

Linha do Plano Empresarial Nível de Reembolso de Honorários Prazos de Pagamento Equipe de Retaguarda Hospitalar
PME Convencional / Básico (Tabelas R1/R2) Fixo em tabela base (consultas de R$ 90 a R$ 128) Até 30 dias corridos (limite ANS) Apenas equipe credenciada do hospital
Bradesco Saúde (Nacional Plus e Premium) Múltiplos elevados (consultas de R$ 439 a R$ 1.097) 10 a 15 dias via app ou portal Retaguarda Einstein e Sírio quitada direta
SulAmérica Saúde (Executivo e Prestige) Teto cirúrgico nobre (consultas de R$ 500 a R$ 1.000) Reembolso digital rápido via aplicativo Retaguarda Einstein a partir do Executivo
Omint Linha Corporate e Premium (C16 a C23) Teto máximo de mercado (consultas de R$ 438 a R$ 1.258) 24h para consultas e 5 dias para cirurgias Retaguarda Einstein, Sírio e Vila Nova Star

Nota: Os valores de reembolso apresentados baseiam-se nos manuais referenciais oficiais das operadoras e variam conforme o múltiplo contratado no plano corporativo.

4. Como solicitar o reembolso cirúrgico passo a passo

A agilidade na liquidação de reembolsos de honorários médicos depende do envio completo e organizado dos comprovantes fiscais e relatórios técnicos.

O setor de Recursos Humanos ou o colaborador devem seguir este roteiro prático para evitar exigências de complementação documental:

  • Solicite nota fiscal ou recibo discriminado: o documento fiscal do anestesista ou cirurgião deve conter CPF/CNPJ, CRM com especialidade (RQE), nome completo do paciente e discriminação individualizada de cada procedimento executado com o código TUSS correspondente.
  • Obtenha o relatório cirúrgico e ficha anestésica: peça ao hospital ou cirurgião a cópia da descrição do ato cirúrgico (folha de sala) e a ficha de controle anestésico com horários de início e término.
  • Anexe o comprovante de pagamento: apresente o comprovante de transferência bancária (TED ou PIX) de mesma titularidade do pagador informado na nota fiscal para comprovar o desembolso efetivo.
  • Protocolize pelo aplicativo da operadora: submeta a documentação pelos canais digitais do convênio, registrando o número de protocolo para acompanhar a contagem do prazo legal.

5. Prazos de pagamento, notas fiscais e como agir diante de recusas

A Resolução Normativa nº 465/2021 da ANS estipula que a operadora de plano de saúde dispõe de até 30 dias corridos, contados da entrega de todos os documentos exigidos, para efetuar o pagamento do reembolso.

Em planos de alta gama (como as categorias Premium da Omint), o pagamento de procedimentos cirúrgicos é liquidado em apenas 5 dias úteis.

Se a seguradora pagar valor parcial incompatível com a ausência de rede credenciada ou recusar indevidamente o reembolso de anestesista:

A primeira providência é abrir uma Notificação de Intermediação Preliminar (NIP) no portal da ANS com o comprovante do protocolo e a negativa emitida pela operadora.

Caso a negativa persista ou ocorra em cirurgia urgente na rede conveniada, o segurado pode buscar reparação no Juizado Especial Cível para exigir o reembolso integral de 100% dos honorários pagos, com correção monetária, juros de mora e eventuais indenizações por danos materiais e morais.

6. Como escolher planos corporativos com alto teto de reembolso

Para empresas com diretores, executivos e equipes que exigem liberdade de escolha de médicos e hospitais de primeira linha, a contratação de apólices com tabelas nobres de reembolso é uma decisão estratégica de atração e retenção de talentos.

Planos das linhas Premium proporcionam tetos de reembolso que cobrem integralmente ou em grande parte os honorários praticados pelos cirurgiões e anestesiologistas mais conceituados do país.

Na contratação corporativa a partir de 30 vidas, a apólice oferece ainda isenção integral de carências, assegurando que cirurgias eletivas ou de urgência possam ser realizadas imediatamente pelos colaboradores.

Quer cotar planos empresariais com alto reembolso cirúrgico?
Receba uma comparação técnica entre Omint, Bradesco e SulAmérica com tabelas nobres de honorários e carência zero no WhatsApp.

7. Perguntas Frequentes (FAQ) sobre reembolso de anestesista e cirurgias

1. O plano de saúde é obrigado a reembolsar anestesista que cobrou por fora?
Sim. Se a cirurgia foi realizada em hospital da rede credenciada e não havia anestesista conveniado disponível na equipe, a operadora é obrigada por lei a reembolsar 100% do valor pago ao profissional.
2. Qual é o prazo legal para a operadora pagar o reembolso de honorários cirúrgicos?
O prazo limite estabelecido pela ANS é de até 30 dias corridos após a entrega da documentação completa. Planos corporativos de linhas Premium chegam a pagar em prazos menores, entre 24 horas e 5 dias úteis.
3. Como é calculado o valor do reembolso quando contrato cirurgião particular?
O cálculo baseia-se na tabela contratual de reembolso da operadora multiplicada pelo fator do plano (múltiplos de US, UCO ou tabela própria). Planos executivos superiores oferecem múltiplos elevados que cobrem a maior parte ou a totalidade dos honorários.
4. A operadora pode exigir que eu faça a cirurgia apenas com anestesistas credenciados?
Ela deve disponibilizar anestesistas credenciados no hospital indicado. Se a operadora não fornecer profissional credenciado apto para o horário agendado, ela perde o direito de limitar a escolha e é obrigada a custear o profissional particular.
5. Quais documentos são obrigatórios para solicitar o reembolso de anestesia?
Nota fiscal ou recibo com CRM e CPF/CNPJ do anestesiologista, código TUSS do procedimento, relatório cirúrgico (descrição da cirurgia), ficha anestésica hospitalar e comprovante de quitação bancária (TED/PIX).
6. O que é a equipe médica de retaguarda em hospitais Premium?
É um corpo de médicos especialistas de sobreaviso em hospitais de ponta (como Einstein e Sírio-Libanês) que prestam atendimento imediato em pronto-socorro ou internação com honorários pagos de forma direta pela seguradora.
Rogério Almeida - Corretor Especialista SUSEP
Autor: Rogério Almeida

Corretor de Seguros Especialista | Registro SUSEP: 201030162

Especialista em soluções de saúde e proteção patrimonial, com atuação na comparação de planos empresariais, tabelas comerciais e redes credenciadas. Conteúdo validado pela Seguro Saúde Online Benefícios e Seguros (Center Brokers do Brasil Corretora de Seguros).
CNPJ: 20.033.235/0001-97 | Corretora Cadastrada SUSEP: 10.2019.289.4

Solicitação Recebida!

Um consultor entrará em contato em breve.